Mercado editorial mantém crescimento e amplia espaço para literatura infantil
Em Alagoas, Imprensa Oficial Graciliano Ramos destaca obras que valorizam a cultura alagoana e incentivam o hábito da leitura desde a infância
Leslen Ferreira
O mercado editorial brasileiro segue em alta em 2026. Dados do Painel do Varejo de Livros no Brasil, fruto de parceria entre a Nielsen BookScan e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), apontam um crescimento de 6,2% no volume de vendas e de 9,1% no faturamento do setor, em comparação com o primeiro semestre do ano anterior, consolidando um ambiente favorável para a produção editorial e para iniciativas voltadas ao incentivo à leitura.
Divulgada em maio, a pesquisa também mostrou que o mercado já havia encerrado 2025 em expansão, com aumento de 6,5% no volume de exemplares vendidos ao mercado e crescimento real de 3,3% no faturamento das editoras. Entre os segmentos que mais avançaram estão a ficção e os livros destinados ao público infanto-juvenil, evidenciando a demanda por conteúdos capazes de despertar o interesse de leitores de diferentes faixas etárias.
Os dados confirmam uma tendência que perpassa os números: a leitura segue conquistando novos públicos e fortalecendo seu papel na formação cultural e educacional da sociedade. Nesse contexto, em Alagoas, a Imprensa Oficial Graciliano Ramos atua em todas as etapas da produção editorial, fortalecendo o setor ao investir em publicações que dialogam com vários públicos e contribuem para a formação de novos leitores.
Não à toa, o crescimento observado no segmento infantil acompanha uma mudança significativa no comportamento das famílias e na conduta das escolas, que reconhecem o livro como instrumento de aprendizagem, imaginação e desenvolvimento cognitivo. Além das narrativas literárias, obras interativas, livros de atividades e publicações para colorir também atraem as crianças e seus responsáveis, estimulando experiências que unem criatividade, ludicidade e participação.
Atenta a esse movimento, a Imprensa Oficial lançou, em 2009, a coleção Coco de Roda, dedicada ao público infantil e inspirada na riqueza da cultura popular alagoana. Com mais de 30 títulos, o catálogo reúne histórias que valorizam elementos da identidade cultural, do imaginário regional e das tradições nordestinas, aproximando as crianças do universo da leitura.
Uma das obras da coleção é A Ilha da Fitinha, de Gianinna Bernardes. Com o Rio São Francisco e a cidade de Piaçabuçu como cenário, a autora conta a história de uma menina chamada Rosa, que vive um amor às escondidas com um pescador. Além da edição ilustrada, a obra também ganhou uma versão para colorir, permitindo que o leitor dê vida aos personagens e às paisagens da narrativa, explorando, de forma lúdica, a riqueza da cultura alagoana.
Segundo Giannina, a ideia do livro surgiu durante uma viagem ao município de Piaçabuçu, onde ouviu de uma jovem guia de turismo um relato popular sobre a origem do nome da ilha, que teria sido cenário de um romance proibido entre a filha de um fazendeiro e um pescador. Para conseguirem se encontrar, ambos criaram um código que consistia em amarrar uma fita no tronco de um coqueiro e, dessa forma, indicar que o caminho estava livre.
“Eu achei a história bonita e poética. Existe uma força muito grande nessas narrativas que circulam de forma oral, mas que muitas vezes acabam se apagando com o tempo. É um patrimônio de pertencimento, de memória e de identidade que merece ser preservado. Senti vontade de escrever algo para crianças sobre essa lenda, para que ela continue sendo contada”, explica a autora.
Além de estimular a imaginação e despertar o interesse pela leitura, narrativas construídas a partir de elementos da cultura e da tradição local ampliam o significado da experiência para a criança. Ao reconhecer lugares, personagens e histórias ligadas ao seu próprio território, a criança não só “mergulha” no universo do livro, mas também se conecta com a comunidade, como destaca a escritora. “Espero contribuir para que as pessoas se reconheçam nas histórias que leem. É assim que conseguimos fortalecer vínculos de pertencimento e identidade”, reforça Giannina.
IMPORTÂNCIA DO PROJETO GRÁFICO
O processo criativo de A Ilha da Fitinha, inclusive, não se limitou ao desejo de registrar e compartilhar uma história que faz parte da tradição de Piaçabuçu. O cuidado também se estendeu ao projeto gráfico da obra.
Assinadas por Bruno Clériston, as ilustrações foram desenvolvidas a partir das próprias paisagens, cores e elementos naturais da região, resultando em um trabalho colorido e que dialoga diretamente com a beleza e a identidade do município.
Além de A Ilha da Fitinha, Giannina Bernardes tem outros livros publicados pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos, a exemplo de Doce Riacho e A Menina de Barro, obras que também favorecem a interação com o público infantil.
“Acredito que propostas interativas, como livros para colorir, são um caminho potente de aproximação das crianças com a leitura. Esses recursos podem funcionar como portas de entrada, convidando ao toque, ao olhar atento e à participação ativa. Fiquei muito feliz ao saber que a editora criaria uma versão para colorir de A Ilha da Fitinha. Foi uma forma de ampliar ainda mais esse envolvimento das crianças com a história. Ao colorir, cada criança passa a participar da construção daquele universo, escolhendo suas próprias cores e criando sua própria versão da ilha, da paisagem e dos personagens. É uma forma de aproximar a criança da narrativa, já que o leitor não apenas lê, mas também coloca um pouco de si dentro dela”, reflete a autora.