No mês da alfabetização, livro propõe diálogo com imaginação infantil
“Ei, você viu Luizinho?”, de Sara Albuquerque, narra o encontro poético entre a arte das mãos e a magia das palavras
Leslen Ferreira
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a Organização das Nações Unidas (ONU) instituíram, em 8 de setembro de 1967, o Dia Mundial da Alfabetização. Mais que um chamado global para lembrar que ler e escrever são direitos de todos e a base para uma vida digna, a data também visa conscientizar acerca dos caminhos que incentivam a formação de novos leitores.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tinha 8,4 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais em 2025, o que corresponde a uma taxa de analfabetismo de 4,9%. Esta foi a primeira vez, desde 2016, que a taxa ficou abaixo de 5%. Apesar do avanço no indicador, o Plano Nacional de Educação (PNE) previa a erradicação do analfabetismo até 2024.
Nesse sentido, o contato precoce com os livros facilita, sobremaneira, o aprendizado formal que ocorre na escola, especialmente quando a leitura dialoga com a imaginação da criança. É o que propõe a escritora Sara Albuquerque, autora de “Ei, você viu Luizinho?”, obra publicada pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos e que integra a Coleção Coco de Roda, selo de literatura infantil da editora voltado à valorização da cultura alagoana.
Delicada e regional, a obra narra a amizade entre duas crianças, Melissa e Luizinho, que se conheceram na cidade de Maragogi, litoral Norte de Alagoas. A história parte do encontro entre diferentes saberes: enquanto Melissa domina a arte manual de trançar palhas de coqueiro, Luizinho domina a arte das palavras. Juntos, eles descobrem a beleza de compartilhar saberes e enxergar o mundo sob o prisma da arte.

A inspiração para a história, inclusive, veio de um encontro real. Aos 9 anos, Luiz Henrique, menino maragogiense que inspirou o personagem Luizinho, já perambulava pelas praias de Maragogi para mostrar sua arte aos turistas. Com as próprias mãos e utilizando apenas a palha de coqueiro, ele costurava flores diante de quem passava, na tentativa de conseguir alguns trocados. Foi a partir dessa experiência que Sara construiu sua narrativa.
“A narrativa ficcional do livro surgiu desse encontro. Busquei trabalhar reflexões como a importância da educação escolar, o combate ao trabalho infantil e a proteção do peixe-boi, ameaçado de extinção”, conta a autora.
A opção pela poesia rimada também está diretamente ligada à própria construção da personagem Melissa, que, atraída pelo desejo de aprender a fazer rimas, aproximou-se de Luizinho para arranjar alguns versos. E foi dessa forma que a convivência com o amigo também se transformou numa busca por palavras e memórias.
A escolha da linguagem poética também mira o processo de alfabetização. Para Sara, a poesia rimada favorece a escuta atenta, a memorização, a percepção dos sons da língua e o brincar com as palavras, aproximando a criança da experiência poética de maneira lúdica e participativa.
O caminho da autora até a literatura infantil, porém, começou bem antes da publicação de “Ei, você viu Luizinho?”. Entre 2003 e 2009, Sara atuou como atriz em peças infanto-juvenis. Já em 2009, quando do primeiro edital da Coleção Coco de Roda, Sara teve a oportunidade de seguir trabalhando com o público infantil, desta vez por meio da literatura, vindo a escrever “O Segredo do Rio Mundaú”.
Desde então, a parceria com a Imprensa Oficial Graciliano Ramos acompanha a trajetória da escritora, que destaca a importância da parceria. “Esse apoio permite que autores locais possam escoar sua produção, fomentando, assim, a nossa literatura. Meus livros, por exemplo, ganharam prateleiras em escolas públicas e privadas, feiras de livros e bibliotecas. Chegaram, portanto, a lugares que nunca imaginei, o que é, sem dúvida, muito gratificante”, recorda Sara.
Com ilustração de Bruno Clériston, o livro “Ei, você viu Luizinho?” pode ser adquirido na sede da Imprensa Oficial, localizada à Avenida Fernandes Lima, s/n, bairro Gruta de Lourdes, em Maceió-AL. Outra opção é acessar o site (clique aqui) ou manter contato por meio do número (82) 3315-8346.