Um milagre compartilhado: livro retrata experiência de fé transformadora
Presidente da Academia Alagoana de Letras, Alberto Rostand apresenta livro que retrata experiência de fé transformadora
Bruno Soriano e Leslen Ferreira
Momentos de adversidade também servem de matéria-prima para grandes obras, literárias ou não, influenciando profundamente a produção de um escritor. Foi o que aconteceu ao presidente da Academia Alagoana de Letras (AAL), Alberto Rostand, autor de “Por que? E para que?”, inspirado na história de superação de seu neto Arthur, jovem que encontrou na família a força necessária para vencer um câncer de intestino.
O diagnóstico veio em outubro de 2025 e abalou familiares e amigos do jovem, então com 15 anos. Quando da descoberta, a doença, inclusive, já comprometia aproximadamente dois terços do órgão. Mas foi em meio à busca pelo tratamento adequado que o avô Rostand decidiu registrar a odisseia. Nem a viagem a São Paulo, onde Arthur foi submetido a uma bateria de exames, impediu Rostand de escrever.
“Eu comecei apenas com cartas direcionadas a ele, todas escritas com a intenção de que fossem lidas apenas no futuro, quando ele já estivesse recuperado. Contudo, ao perceber o volume de páginas que acumulei, decidi transformar aquele registro em um livro. Foi também uma forma de encorajar quem já enfrentou problema semelhante ao que meu neto encarou. Afinal, ele é um exemplo de superação”, conta o também engenheiro civil.
A obra não só reúne declarações de amor e apoio frente a momentos de insegurança, a fim de atenuar o martírio do jovem que já enfrentava os efeitos colaterais da quimioterapia. O sofrimento, porém, deu lugar à esperança em março do ano seguinte, quando, após novos exames, os médicos constataram o desaparecimento do tumor.
Para Rostand, o livro, portanto, descreve a fé que guiou toda a família do jovem, sugerindo uma importante reflexão sobre a importância do acolhimento integral do paciente durante o tratamento.

“Sempre tive uma ligação muito forte com meu neto. Chegou, inclusive, a morar comigo. E o curioso é que ele já adotava uma rotina saudável, porque sempre cultivou o hábito de praticar esportes, especialmente o basquete, no qual se destacou. Foi quando recebemos, inicialmente, um diagnóstico de anemia. Como ela persistiu, tivemos de fazer novos exames, que, então, detectaram o câncer. Foi arrebatador, mas vencemos”, recorda Rostand, que é pai de três filhos e avô de seis netos.
Segundo o escritor, o livro é fruto de incansáveis noites de insônia, angústia e incertezas. “Mesmo após dezenas de exames, os médicos decidiram fazer uma cirurgia para constatar a ausência do tumor e checar outros órgãos vitais. Esse procedimento durou cerca de dez horas. Fizemos várias correntes de oração, e isso também ajuda a explicar o título do livro. Foi um verdadeiro milagre”, emenda o autor.
Segundo Rostand, foi o próprio Arthur quem decidiu, em conversa com o avô, doar todos os exemplares. Mas o livro também pode ser adquirido, pelo valor de R$ 37, junto à Associação dos Pais e Amigos dos Leucêmicos de Alagoas (APALA), que recebeu a maioria das doações. Todo o valor arrecadado será revertido para a instituição.
“Trata-se de um valor simbólico, porque trinta e sete é o número da camisa que ele [Arthur] sempre usou ao jogar basquete. Além disso, o número três é associado à santíssima trindade, enquanto o sete simboliza a perfeição divina, conforme a tradição cristã. Foi uma grata coincidência”, explica o presidente da AAL, destacando, ainda, o apoio da Imprensa Oficial Graciliano Ramos com a impressão da obra.